A confortável situação dos reservatórios de acumulação de água das usinas hidrelétricas do país não impediu que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisasse recorrer à geração térmica convencional (majoritariamente a gás natural), mais cara, para complementar o abastecimento, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-oeste.
No dia 2 de fevereiro, a geração térmica convencional média foi de 2.472 megawatts (MW), equivalente a 4,11% da carga total fornecida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). No dia 10 de novembro, quando aconteceu um blecaute nacional, as térmicas estavam gerando 970 MW, ou 1,77% da carga fornecida.
Segundo Hermes Chipp, diretor-geral do ONS, três fatores estão contribuindo para o aumento da geração térmica: o primeiro é a necessidade de reduzir a geração da usina de Itaipu a um máximo de 8.500 megawatts de potência, enquanto estão sendo executadas mudanças nos três linhões para o Sudeste, recomendadas pela comissão que investigou o blecaute de novembro.
As outras duas causas são o calor intenso que está fazendo no Sudeste e Sul do país e o aumento da produção industrial gerado pela recuperação econômica em curso, que, juntas, estão provocando a elevação da demanda de energia e provocando sucessivos recordes de consumo em horários de pico.
Mesmo assim, Chipp reforçou que o cenário atual "é o melhor dos últimos dez anos": os reservatórios das principais hidrelétricas estavam no dia 2 em nível mais elevado ou semelhante aos do fim de fevereiro do ano passado, que já eram bons.
Fonte: Valor online |