Em decorrência do vazamento de 1.500 litros de endosulfan no rio Pirapetinga, ocorrido na madrugada do dia 18/11, a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro (SEA) pediu à Agência Nacional de Águas (ANA) a interrupção do bombeamento na Estação Elevatória de Santa Cecília, responsável pela transposição de águas do Paraíba do Sul ao Sistema Lajes/Guandu, que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro. A medida é preventiva e em caráter temporário, até que a situação esteja normalizada.
O vazamento do inseticida organoclorado com alto teor tóxico foi causado pela empresa de processamento de produtos químicos Servatis, sediada em Resende (RJ), e provocou uma grande mortandade de peixes no rio Pirapetinga, afluente do Paraíba do Sul. Em conseqüência do acidente, os municípios de Porto Real, Quatis, Pinheiral, Barra Mansa e Volta Redonda também tiveram de interromper o abastecimento de água para a população, o que deverá ser totalmente normalizado nos próximos dias.
De acordo com apurações preliminares dos técnicos da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), o vazamento ocorreu por volta das 3 horas da madrugada, proveniente de uma falha de conexão no descarregamento de um dos caminhões-tanque da Servatis, que fazia o transporte do endosulfan. A indústria foi autuada pela FEEMA e o valor da multa será definido pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA).
A Secretária de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos, realizou na sexta-feira, dia 21, uma vistoria no rio Paraíba do Sul, entre os municípios de Volta Redonda e Resende, para saber o impacto do vazamento. Participaram da vistoria agentes da SEA, da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais e policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. O resultado da vistoria foi a interdição da empresa Servatis, cujos proprietários poderão responder por crime ambiental, além de serem multados. Segundo Marilene Ramos, a empresa, que já é reincidente, poderá receber multa superior a R$ 10 milhões. A FEEMA e a CEDAE também estão fazendo o monitoramento das águas para análise e acompanhamento da situação.
A Servatis protocolou junto à FEEMA, à Agência do Meio Ambiente de Resende e ao Ministério Público uma auto-denúncia, esclarecendo os motivos do vazamento acidental. De acordo com a empresa, a auto-denúncia também será protocolada no Comitê de Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul – CEIVAP.
Diante do acidente ambiental ocorrido, a Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (AGEVAP) manifesta sua preocupação quanto à qualidade da água para o abastecimento público da população e se coloca à disposição da FEEMA para colaborar no que for possível, dentro de seu escopo de trabalho.
A importância do rio Paraíba do Sul
Localizado na Bacia Hidrográfica do Atlântico Sudeste, o rio Paraíba do Sul é formado na cidade de Paraibuna, no Estado de São Paulo, da confluência dos rios Paraitinga (que nasce no município de Areias) e Paraibuna, cuja nascente é no município de Cunha. A partir da junção de suas águas na Represa da CESP, em Paraibuna, ele percorre uma extensão de 1.150 km até desaguar no Oceano Atlântico, na praia de Atafona, em São João da Barra (RJ). Seus principais afluentes são: rios Jaguari, Paraibuna (MG/RJ), Pirapetinga, Pomba e Muriaé (margem esquerda) e rios Una, Bananal, Piraí, Piabanha e Dois Rios (margem direita).
O Paraíba do Sul está localizado numa das regiões mais desenvolvidas e industrializadas do país. Sua bacia hidrográfica ocupa uma área de aproximadamente 55.500 km² e abrange partes dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e metade do Estado do Rio de Janeiro. Em toda essa extensão há atualmente 180 municípios e uma população urbana total de 5.258.068 habitantes (IBGE/2005). Além desses 5,2 milhões de habitantes, o Paraíba também abastece, por meio da transposição de suas águas ao Sistema Lajes/Guandu, a região metropolitana do Rio de Janeiro, que possui cerca de 11 milhões de habitantes.